Publicado por: Ana | Outubro 15, 2006

Coloca a mão na maçaneta e abre a porta para sair.
Tenta não olhar para trás, mas não consegue.
Pára.
Percorre com o olhar as paredes e os móveis, demora o olhar em cada objecto.
Relembra os sonhos e as expectativas de quando, pela primeira vez, entreabriu aquela porta.
Um sorriso amargurado nasce-lhe nos lábios, como um esgar de dor.
Deveria ter percebido há muito que há locais que nunca serão nossos, sonhos que não temos o direito de sonhar. Por muito que se lute e reme contra a maré, a ordem natural das coisas é sempre mais forte.
Toca levemente as paredes num gesto de despedida.
Depois suapira e fecha a porta. Para sempre.
Consigo, leva apenas as memórias. Essas, ninguém lhas consegue tirar.

Responses

  1. Minha querida Ana! Tão triste, quanto belo!Paradoxo diria!Ou talvez não!Sentimentos à flor da pele num texto que continua outros textos…quero ler mais!

  2. Não sei com que palavras te comentar, mas gostava de te dizer que gostei muito deste texto. Às vezes o mais simples é o melhor.

  3. Lindíssimo, o texto! Conhecida a sensação… comum a todos… Quem não sentiu já que ía para não voltar e levaria só as memórias! Só há uma coisa que não concordo…. Temos sempre direito a sonhar tudo! Nem que se saiba que é apenas sonho e não vai ser mais que isso… Mas o sonho… ninguém nos pode roubar, tal como as memórias!
    Beijinhos para ti!


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