Publicado por: Ana | Outubro 6, 2006

Ausência

Quero dizer-te uma coisa simples: a tua
ausência dói. Refiro-me a essa dor que não
magoa, que se limita à alma; mas que não deixa,
por isso, de deixar alguns sinais – um peso
nos olhos, no lugar da tua imagem, e
um vazio nas mãos, como se as tuas mãos
lhe tivessem roubado o tacto. São estas as formas
do amor, podia dizer-te; e acrescentar que
as coisas simples também podem ser
complicadas, quando nos damos conta da
diferença entre o sonho e a realidade. Porém,
é o sonho que me traz a tua memória; e a
realidade aproxima-me de ti, agora que
os dias correm mais depressa, e as palavras
ficam presas numa refracção de instantes,
quando a tua voz me chama de dentro de
mim – e me faz responder-te uma coisa simples,
como dizer que a tua ausência me dói.

Nuno Júdice, in ” Pedro, Lembrando Inês


Responses

  1. nao li, mas vou faze-lo! sem duvida! porque ha descricoes que valem por tudo!

  2. Lindissimo!:)

  3. A ausência dói. Creio que nem sempre. Por vezes a ausência é uma libertação.
    Fica bem.
    Manuel

  4. Ausência! Um belo texto do Júdice… mas apetece dizer-me que quanto maior for a espera, mais intenso será o momento de reencontro!…

    Beijos…

  5. Ouch… Este texto deixou-me assim a modos que… well you know what I mean…
    Acho que vou comprar o livro 🙂

  6. É….gostei…e li de novo!

    Beijo garota

  7. Ultimamente tenho encontrado este poema em vários blogs. É um dos meus primeiros posts! Isto porque é provavelmente o meu poema preferido do meu poeta de eleição de certeza!

    É bom saber que há mais com quem compartilhar as palavras…

    Beijo

  8. Já li e reli milhares de vezes. E tenho-o na memória permanente.

  9. …a ausência sempre fará doer
    …um beijinho

  10. belo extracto da elegia ao amor e ao desejo da presença!
    Gostei do post!uma vez mais.
    Desculpa a ausencia….Mas não esqueço!

    Paulo

    um beijo

  11. Obrigado pela visita

  12. Dói não estar.

  13. Li e reli o texto, está fantástico.

    A ausência doi sempre, por muito que a tentemos encobrir, acaba sempre por doer. No dia em que deixar de doer é sinal que é altura de continuar a andar em frente.

  14. Pois é. São mesmo as coisas do amor.

  15. Amor até ao Eterno


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