Publicado por: Ana | Setembro 10, 2006

Sábado, 5 e meia da tarde. Quando, em Setembro, estão dias quentes assim, o sol parece que desce sobre as nossas cabeças de tão baixo que está.
Saio do Instituto cansada mas feliz, a primeira aula correu lindamente.
Decido ir ver o último filme de Pedro Almodovar antes de regressar ao inferno ( leia-se santa terrinha) e vou até ao Marquês apanhar o metro. Já na estação, reparo em tuas mulheres, cada uma com um bebé ao colo. Imigrantes. Romenas, ao que me pareceu. Muito jovens as duas, uma delas não sei se já teria 18 anos, aspecto andrajoso. Sujas, elas e as crianças. Entraram no metro ao mesmo tempo que eu e começaram a pedir esmola. Incomoda-me isto, por muito que tente nunca consigo ficar indiferente quando vejo crianças envolvidas.
Quando passaram por mim, consegui ver o rosto da criança que a mais nova transportava ao colo. Que olhos! Azuis claros, quase transparentes… tão inquiridores. O cabelo loiro quase branco contrastava com as roupas sujas que trazia vestida. Não tinha seguramente 4 meses.
Olhou-me com aqueles olhos lindos e riu-se para mim.
Apeteceu-me levantar, dar àquela mulher todo o dinheiro que tinha e não tinha na carteira e ficar com aquela criança, trazê-la para casa e dar-lhe tudo aquilo a que têm direito as crianças. Cobri-la de mimos.
Sem se aperceber de nada, a mãe (?) beijou-a no rosto e ela sorriu
E eu, ali , percebi que a felicidade tem parâmetros muito diversos.
Afastaram-se as duas carruagem fora.

Responses

  1. São horríveis estas “agressões” que permanentemente sofremos na cidade. Deixam-nos confusos e perdidos, com uma terrível sensação de culpa e de impotência. E receio que, com o hábito, acabem por nos deixar indiferentes, como os médicos perante a morte.
    Espero sinceramente que o Almodovar (que também tenho de ir ver) te tenha facilitado a tarefa…

  2. Ana, depois do teu texto…

    Deixo um beijo, apenas!*

  3. Infelizmente sao situações que nos deparamos todos os dias…Não há nada que possamos fazer para que o olhar dessas crianças e a vida dessas crianças mudem…apenas um sorriso lhes pudemos dar e pouco mais… Um beijo grande Ana 🙂

  4. dá que pensar, mas o amor ajuda a ultrapassar os momentos dificeis na vida, vamos acreditar que apesar de tudo aquela criança é amada. beijos

  5. É horrível e aqui em Cascais, onde vivo e trabalho, isso é situação comum. O problema é que possívelmente as crianças nem seriam filhas das míudas que as carregavam e o mais provável seria estarem discretamnete com elas um ou dois tipos que as exploram. Aqui em Cascais já assisti frequentemente a esse tipo de situação e em que durante uma série de horas a criança de colo é a mesma e o que muda é a mulher que o transporta. É revoltante e embora por pena da criança só me apeteça dar tudo o que tenho acabo por fazer aquilo que me parece mais certo que é ligar para a linha SOS criança que toma as medidas necessárias. (pelo menos assim espero)

  6. Um texto triste sobre um situação real e que nos deixa sem acção e a pensar neste assunto!

    O que fazer!?
    O que podemos fazer!?

    Boa semana!
    Bjks da matilde

  7. É realmente uma realidade difícil com que temos de viver, mas pior é mesmo o que o Asdrubal descreveu.
    Também eu já tive conhecimento de muitas situações em que as pessoas que pedem estão a ser exploradas, por pessoas que na realidade não são mais que os “chulos” delas. As crianças nestes meios não passam de um “objecto” para criar sentimento de pena às pessoas que por lá passam.
    Mesmo que uma pessoa contribua com dinheiro, este não vai ser usado em prol das crianças, nem das mães (que muitas vezes nem mãe são), ficando todo nas mãos dos “chulos”.
    Isto só faz com que uma pessoa se sinta pior ainda e impotente, ver ali crianças a ser exploradas e não saber como ajudar.

  8. senhora: perdoar intrusão em seu blogue mas pessoas romenos andar por todo o europa pedindo esmola. ser maneira de vida desses pessoas. não querer trabalhar, não querer mais nada. viver de limpar pára-brisas e de pequenas crimes além do esmola, claro.

  9. Sim, a felicidade daquela criança, aparentemente, reside naquele beijo maternal… Como as coisas são relativas, não é?


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