Publicado por: Ana | Julho 11, 2006

Turva-se-lhe a imagem ao longe , talvez pelo calor que se faz sentir. Mancha no horizonte ou figura que se aproxima, cerra os olhos e não quer ver. O cansaço é mais forte que tudo e deixa-se cair no chão que escalda, levantando uma poeira de meses de seca.
Tosse, sente-se sufocar…
As forças esvaem-se num suspiro que sente que será o último, rumo à escuridão eterna.

De repente, grossas gotas de água tocam-lhe a pele e os lábios ressequidos entreabrem-se em busca do elixir precioso.
Abre os olhos: nuvens cerradas começam a oferecer-lhe toda a água que acumulam, numa dança de trovões e relâmpagos coreografada ao último detalhe. Soergue-se no chão, percebe misturados o pó e a pele que a água se encarrega de lavar.
Escorre lama quando se eleva de vez, para perceber que criou raízes no solo. Não consegue sair dali, melhor: não quer sair dali. Deixa que as raízes se cruzem, dançando umas com as outras.

A figura que tinha avistado ao longe estava agora mais perto, estranhamente sem se ter movido, uma árvore de sombra refrescante e acolhedora que lhe estende os ramos num convite a um abraço.
E assim ficaram, ramos e braços entrelaçados, a árvore sem saber que era ele e ela sem perceber que era árvore.


Responses

  1. Acho que há um pequeno engano na última frase. Não sei, ora vê lá…

    Foi bom ler-te.

    ;-)*

  2. …e assim ficaram ramos e braços entrelaçados porque finalmente se reencontraram…na Natureza, nada se perde…nada se ganha …tudo se transforma..e por fim reencontramo-nos.
    beijos

  3. Que encanto Ana, que forma sublime de dizer a vida, fascinante forma de a sentir.

    Um doce beijo+

  4. Tal como a árvore também gosto de sentir grossas gotas de água na face… Parece uma sensação libertadora…

    Beijos,
    Miguel

  5. As árvores ficam sempre de pé.
    A Natureza é suprema.

  6. Lindo. Gosto das tuas palavras.
    Continua 🙂

  7. Hummm, Madalena, lê lá bem… não me parece :)*

    É verdade, tonspastel…

    Obrigada, Alquimista… beijos pa tu *

    Quem não gosta, Miguel? Ainda hoje o senti 🙂

    A ideia e essa, anamoris 😉

    Obrigada, utzi 🙂

  8. Cheguei aqui por acaso mas gostei muito das palavras que encontrei. Sabe bem descobrir que este mar digital não é só Poesia..
    Bjs

  9. De facto, sou mais uma mulher de prosa , Guilherme :-)*


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