Publicado por: Ana | Junho 13, 2006

Quase sete e meia da tarde, saio cansada do gabinete e desço no elevador até à rua. Lá fora, sou apanhada desprevenida por gentes que se preparam para mais uma noite de Santo António. Em frente à porta as bancadas já estão cheias de gente que, animadamente, vai gozando o fim de tarde e espera que as marchas passem daí a umas horas.
Um pouco mais abaixo, no Tivoli, vejo um grupo de pessoas vestida a rigor para a noite, com muitas fotografias e reportagens de tv à mistura. Cerca de uma dezena de miúdos agita bandeiras de cores lisas cujo significado desconheço.
Aos poucos, esboço um sorriso nostálgico pela lembrança de outras noites iguais a esta, não passadas na avenida mas sim pelas ruelas de Alfama. Vinte anos, pensei… já passaram vinte anos.
Esgueiro-me discretamente por entre as pessoas e o trânsito parado, perdida em recordações desta cidade da qual tanto gosto e que cada vez sinto menos minha, mais longe de mim. Escapa-se-me em cada dia, em cada semana que passa e os sonhos são atrasados e transformados em angústias.

Num acto reflexo, ao descer as escadas do metro ali na Avenida, meto a mão na mala e vejo que me esqueci do telemóvel no gabinete. Bonito, pensei… volta para trás e depressa, que sabes que detestas chegar atrasada onde quer que seja, muito menos a jantares onde estão à tua espera.
E já estou de novo a entrar para o elevador que, desta vez, trazia a porteira que despejava o lixo.
Boa tarde, disse eu.
Boa tarde, menina, disse ela.
Sorri com o ” menina”… já há algum tempo que não me cumprimentavam assim.
Boa noite de Santo António, atirei-lhe eu em jeito de despedida.
Para si também, menina. Divirta-se e descanse que amanhã é feriado; quinta feira cá estamos.
Não me apeteceu explicar-lhe que, para mim, amanhã não é feriado e que provavelmene na quinta feira não me veria.
Preferi voltar a descer a avenida com um meio sorriso e a pensar que,se calhar, a cidade também é um pouco minha.


Responses

  1. Lisboa menina e moça… 🙂
    Até eu q nao sou lisboeta nem conheço grande coisa de Lisboa, qd escuto essa musica… sinto um arrepio… imagino o q é ser… Lisboeta… alfacinha! 🙂
    Aquela cidade é tua (tb é tua)… pq terás la recantos q são teus! Não são os locais q te fazem lembrar as vivencia… foram as vivencia… foste tu… quem deu valor…significado a esses locais… e, a partir desse momento… aquele recanto… aquele momento… é teu… e só teu! 🙂 *

    PS:Cumprimentos à porteira!

  2. parece que sim… pelo menos sauda-te menina!

  3. É bom ler essas palavras, Filipe***

    Boleia 🙂


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