Publicado por: Ana | Abril 4, 2006

_ Terapeuta, está na recepção a filha do sr. F e quer falar consigo.
Suspirei.
Estava atrasada, tinha doentes já à espera e outros para chegar.
Olhei para o relógio e lá subi as escadas assim que pude.
Esperava-me sentada na sala de espera. Baixa, olhar vivo que contrastava com o luto que vestia.
Eu sabia que o pai tinha morrido a semana passada, doente antigo com Parkinson que tratei de maleitas várias ao longo de anos.
Peguei-lhe nas mãos e dei-lhe um beijo sentido ( ela sempre tinha acompanhado o pai aos tratamentos), não consegui nunca pronunciar as palavras de circunstância que se dizem nestas alturas.
_ Terapeuta, vim cá para lhe agradecer o que fez pelo meu pai nestes anos.
_ Fizemos o que podíamos sempre, D. Isabel… e tenho pena de não termos conseguido fazer mais.
_ Eu sei, Terapeuta… mas houve sempre um carinho e um sorriso para além do grande profissionalismo. Ele gostava muito de si, sabia? Disse-mo várias vezes.
_ E eu gostava dele, D. Isabel…
Não consegui dizer mais nada porque as lágrimas dela corriam já pelo rosto.
Apenas a abracei e deixei que chorasse.
Quando parou, olhou-me e, sorrindo, disse:
_ Obrigada por tudo…
_ Estamos cá sempre para o que for preciso, disse ainda enquanto ela saia…


Responses

  1. Emenda lá o “ouve”…
    E como passei por isso não digo nada

  2. Done 🙂
    escapou-se-me o bicho! LOL


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