Publicado por: Ana | Março 5, 2006

Sentou-se na esplanada que, apesar do vento agreste, proporcionava um abrigo soalheiro.
Gostava daquele local, ali sentia-se quase em casa. Ano após ano, era ali que passava algumas horas quando queria ficar sozinha. O seu refúgio secreto. Pegou no livro que sempre a acompanhava, mas nem sequer o abriu. Fechou os olhos e ouviu o mar que, lá em baixo fazia com o vento um jogo de sedução. Sorriu enquanto o sol lhe acariciava a pele. Mas algo não estava bem e abriu os olhos. Sentia-se observada, não sabia por quem e, disfarçadamente, olhou em redor. Não havia muita gente na esplanada e foi fácil identificar o observador; sozinho, como ela e também com um livro na mão. Um livro igual ao que ela trazia consigo.
Ele dirigiu-lhe um sorriso cúmplice quando os seus olhares se cruzaram e ela imitou-o, baixando rapidamente os olhos. Queria parar por ali.
Embrenhou-se na leitura e rapidamente o esqueceu; quando lia tudo à sua volta desaparecia. Esteve ali até o fim da tarde se adivinhar e, quando olhou de novo na direcção dele, a sua cadeira já se encontrava vazia.
Suspirou levemente, pensando num segundo como teria sido se não tivesse baixado o olhar.
Sabia que as barreiras que levantava nenhum estranho estaria interessado em derrubar e, enquanto se dirigia para o carro, decidiu que estava na altura de enterrar o passado.
Decidida, dá à chave; uma e outra vez, repete o movimento; em vão. O carro teima em não pegar.
Sai e encosta-se à porta, enquanto pensa a quem telefonar. Na praia, um homem caminha sozinho, devagar.
Percebe que não trouxe o telemóvel e fica aborrecida. Pensa então voltar ao bar para telefonar quando se apercebe que o homem que caminhava na areia vinha agora na sua direcção. Era o que a tinha observado anteriormente na esplanada. De novo o sorriso cumplice: ” Reparei que o seu carro não anda, posso ajudar?”
_ Obrigada, pode sim…_ responde ela. E, desta vez, não baixa os olhos…

Responses

  1. O gajo sabotou o carro, está visto! Mas ca ganda táctica! E eu que pensava saber todas… (glups – engolindo em seco)

    😉

  2. Não me basta depois de ter acabado o texto achar que ele está parecido com os contos que dantes saíam na Maria e agora vens tu falar de sabotagens de carro?
    Ai eu… LOL


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