Publicado por: Ana | Março 4, 2006

Levanta-se lentamente para não o acordar e veste-se na escuridão do quarto que tão bem conhece.
Lá fora o vento sopra, agreste, assobiando algures numa janela mal fechada.
Na cama, o corpo dele mexe compassadamente ao ritmo da respiração própria de quem viaja por terras de Morfeu.
Olha-o e estende a mão para uma carícia, mas pára antes de o fazer e o gesto cai, inútil.
Arruma apressadamente os poucos objectos que lhe pertencem; cabem num saco pequeno, coisas simples de uso diário que arruma maquinalmente . Olha em redor para ter a certeza que não se esquece de nada, quer que o seu rasto seja apagado, já que não é possível limpar as memórias.
Ele mexe-se na cama, vira-se e tacteia a cama à procura dela que, imóvel, sustém a respiração enquanto ele mergulha de novo no sono.
Apressa-se, quer partir quanto antes.
Do porta-chaves retira a chave da casa e coloca-a sobre o telemóvel dele, beijando-a primeiro enquanto fica com os olhos marejados de lágrimas.
Lentamente, abre a porta sem fazer barulho e ao sair olha à sua volta, como se com um olhar pudesse abarcar uma época da sua vida. Fecha-a lentamente e, quando a fechadura faz clic, ainda tem força para balbuciar… Adeus.

Responses

  1. http://www.tiraacueca.blogspot.com

  2. Hã?

  3. Adorei;)
    bj*

  4. Obrigada, tita 🙂


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