Publicado por: Ana | Agosto 31, 2005

Primeiro penetrei a areia, devagar. Deixei que aqueles milhões de grãos quentes me fizessem cócegas enquanto ouvia o mar que me conhece tão bem.
Depois atravessei o areal. Vi pedras coloridas, cemitérios de algas e rochas a cheirar a iodo.
Andei quilómetros a pé à beira mar, deixando que o Oceano chamasse por mim em forma de música e espuma branca. Fugi-lhe, dançando com ele num vai-vém de ondas que me procuravam a cada instante, fazendo-as escorregar por entre os dedos dos pés.
Deitei-me na areia deserta e fi-lo esperar por mim.
Ouvia-o ao longe, num chamar de desejo insistente…
Despi-me e entrei nele, devagar. Arrepiei-me com o seu afago, desejei penetrar mais e mais.
E, devagar, fomos um só no momento em que mergulhei nele e me deixei envolver nas suas vagas salgadas, para sempre, numa cumplicidade que só existe quando sonhamos.

Responses

  1. Ou não tivessemos nós, seres humanos, essa identidade com o meio aquático. Desde a envolvência da nossa gestação, até á nossa composição quimica enquanto seres vivos, que a água é parte integrante da nossa vida.
    Acho que entendo essa tua sensação de bem estar quando em contacto com o meio aquático, sim.
    Senti, ao ler este post, alguma da liberdade que relatas.
    E lá voltei a deixar marcas da minha passagem pelo teu blog. 🙂

  2. Volta sempre, roque 🙂


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