Publicado por: Ana | Julho 8, 2005

Encontros 3

Rosa sorriu quando viu um número desconhecido a fazer tocar o seu telemóvel. Instintivamente, sabia quem era. Não era difícil, sabia a impressão que deixava nos homens e orgulhava-se disso. Os seus 26 anos conferiam-lhe uma juventude que a forma invejável completava, formando uma figura que ao passar na rua, fazia rodar cabeças.

Atendeu o telefonema de Pedro ansiosamente. Tinha-lhe agradado o ar calmo daquele homem, contrastando com o modo ousado com que a olhava. Sentiu desejo quando os seus olhos pousaram nos dela na véspera e isso agradou-lhe. Também gostou do doutor que ouviu quando a empregada da lavandaria lhe entregou a roupa. Ambiciosa, achava que merecia melhor sorte que um emprego de secretária. Queria ter roupa de marca, perfumes caros, passear pelo mundo; e conseguir isso enquanto nova, para poder usufruir de tudo muito tempo.

Mas, mais do que isso, Pedro tinha algo de diferente que a atraía inexplicavelmente. E queria saber o que era…

………………………………………………………….

João sentou-se ao volante do carro deixando para trás o hospital, a multidão e a cidade. Guiou em direcção ao mar, sem nenhum destino especial. O simples prazer de conduzir e o cheiro do mar faziam com que o stress acumulado durante a semana ficasse para trás.

Preocupado com Pedro, era dele a imagem que via enquanto o carro percorria paralelamente a linha do mar. Aquele tipo não anda nada bem, pensou. Nunca mais foi o mesmo… Quando deu por si, viu que percorria inconscientemente um caminho bem conhecido pelo qual já não passava há alguns anos. Deixou-se ir, até parar à porta de um pequeno bar de praia, encravado entre a rocha e a areia onde as ondas, no Inverno, salpicavam os vidros em dias ventosos. Mas agora era Verão e as janelas apenas reflectiam o azul do mar sempre frio daquela zona.
O bar, antigo refúgio, continuava como dantes; talvez a madeira das paredes estivesse mais fustigada pelo tempo. Frequentado apenas por quem sabia dar com ele, encontrava-se quase deserto àquela hora do dia. Apenas umas costumeiras bicicletas, um jipe coroado com duas pranchas de surf e um carro de matrícula italiana povoavam o exíguo estacionamento. Itália fê-lo pensar de novo em Pedro, contrariado.

Entrou e olhou para a mesa onde, anos antes, se reunia com o grupo de amigos tardes a fio. Estava ocupada por uma mulher sentada de costas para a porta . Fez um esgar de contrariedade (afinal aquela mesa seria sempre deles), imediatamente seguido de um ar de incredulidade. Reconheceria aqueles cabelos onde quer que fosse.
Dirigiu-se para a mesa e olhou a mulher nos olhos: Sofia? Que fazes aqui?

(Continua…)


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