Publicado por: Ana | Julho 6, 2005

Encontros

Olhou a imagem reflectida no espelho. 40 anos. Meia idade. Em teoria, ainda viveria outro tanto. Pensou na sua vida até agora e conjecturou como seria o futuro.
Meia idade o caraças, pensou!
Deixou a imagem dos olhos pisados pela noite mal dormida e saiu de casa. O trabalho esperava-a, como sempre. Trabalho, trabalho e mais trabalho. Os últimos anos tinham-se resumido a ser Trabalhadora a tempo inteiro e Mãe nas horas vagas. Por esta ordem; há já muito tempo que não sabia o que era uma sala de cinema, um jantar de amigos, uma conversa sem nexo entre risadas.

Suspirou. O trânsito, caótico como sempre, iria atrasá-la mais uma vez. Nem o mês de Agosto tinha, este ano, diminuído a torrente de carros. Cada vez as pessoas vão menos de férias, pensou. Lembrou-se das contas ainda por pagar e voltou a suspirar. O Bernardo precisava de uns ténis novos e quando voltasse do campo de férias teriam que os ir comprar.

Lembrar-se do filho despertou-lhe a saudade. Quando chegasse ao escritório ia telefonar-lhe. Mas agora, afinal, estava semi de férias por não ter horários de escolas a cumprir. O horário de Mãe estava temporariamente vago e não sabia que fazer ao tempo livre. Praia? Dormir? Ler?

Chegou ao emprego e um ” Bom dia, doutora Mariana… tem uma reunião daqui a 5 minutos” despertou-a para a realidade.
……………………………………………………………
Pedro chegou antes da hora ao hospital, como de costume. A colega que tinha feito o banco durante a noite agradeceu-lhe, com um sorriso mais aberto do que seria necessário. Sorriu-lhe de volta, timidamente. Sabia o efeito que provocava nas mulheres, apesar de não perceber o motivo. Lembrou-se da D. Eugénia, a doente do consultório que, desconfiava ele, apresentava mais queixas que as verdadeiras para lá poder ir mais amiúde.

João, o colega de sempre, ria-se e dizia: Não sei como consegues isso, tens cá uma sorte com as gajas! Mas trabalho é trabalho e Pedro não queria ter casos com colegas de trabalho. Era muito complicado ter que lidar com elas, depois de as coisas acabarem. Porque acabavam sempre.
Para ele, as mulheres eram, depois de Sofia, objectos descartáveis. Usar e deitar fora. Relações sérias e duradoiras não estavam nos seus planos.

( Continua…)


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