Publicado por: Ana | Novembro 30, 2004

Histórias de (de)sencantar ou A Princesa com o Coração de Pedra

Há muitos, muitos anos vivia num lindo castelo, uma bela princesa. A princesa vivia sozinha, afastanto tudo e todos com a sua altivez e mantendo à distância quaisquer príncipes que lhe quisessem conquistar o coração. Era, por isso, conhecida como a princesa com coração de pedra. Ela sabia disso e ria-se porque, de facto, sentia-se bem sozinha.

Percorria alegremente as estradas do reino, cavalgando um belo cavalo preto, distribuindo bens e sorrisos a quem deles necessitava. Só no seu castelo, no seu refúgio, nao permitia a entrada de ninguém excepto da criadagem fiel e silenciosa.

Mas um dia, enquando fazia o seu percurso diário, parou perto de um pequeno riacho para que o seu cavalo bebesse água, pois tinha-se invulgarmente afastado de casa e o animal denotava sinais de cansaço e sede. Na margem, meio escondido debaixo de um choupo, viu a figura de um homem. Não chorava, mas tinha os olhos mais tristes que ela jamais havia visto. Aproximou-se devagarinho e estendeu-lhe a mão. Sem dizer uma palavra, montaram os dois o cavalo da princesa que, instintivamente, se dirigiu para o castelo.

Ela cuidou dele, acarinhou-o, até aprendeu a rir com ele. E foi, dia após dia,descobrindo a história da tristeza dele:

Era um príncipe , de um reino longínquo do qual ela mal tinha ouvido falar. E tinha uma princesa, esse príncipe, com quem vivia muito feliz, julgando que era para sempre. Mas as histórias de encantar nem sempre têm finais felizes. E o príncipe partiu sem rumo, na esperança de se encontrar, de conseguir fazer com que os olhos rissem de novo.

A princesa (a nossa princesa, a do coração de pedra), deixou-se conquistar, aos poucos. Começou a ter saudades dele quando saía no seu cavalo, a pensar nele quando não estava ao seu lado. O príncípe, por seu lado, perdia um pouco do olhar triste quando estava com ela.E, um dia, olharam-se os olhos e beijaram-se. E tocaram-se. E amaram-se. Como só os amantes sedentos sabem fazer.

( Ok, agora aqui há um parêntises: a história pode ter dois finais e eu, não sabendo qual dos dois usar, publico ambos)

Final 1: Aprenderam a conhecer-se, aos poucos , entregando o corpo e a alma àquele sentimento novo , inesperado, mas que lhes sabia muito bem. Os fantasmas e as mágoas foram desaparecendo da vida do príncipe e ele reaprendeu a ser feliz. E o coração da princesa nunca mais foi de pedra, porque tinha aprendido a amar.

Final 2: Viveram um sonho bom durante uns tempos,mas o olhar do príncipe não perdia a tristeza. A princesa sabia o quanto ele apreciava a companhia dela, mas percebeu que nunca conseguiria que ele voltasse a sorrir. E isso doía-lhe, porque o queria inteiro; a ele e ao sorriso. Porque o amava e, mesmo nunca tendo amado ninguém, sabia que o Amor não era só aquilo. Até que tomou uma decisão. Resolveu dar-lhe a prova suprema de amor: Chamou a fada madrinha e pediu-lhe que o transformasse num pombo. Depois, subiu à torre mais alta do castelo, beijou-o e , de lágrimas nos olhos disse-lhe:_ Vai… porque sei que não me pertences.E ficou ali, até que ele desapareceu na longínqua linha do horizonte, rumo de novo ao seu amor verdadeiro. Desceu as escadas da torre , montou o seu corcel e, dignamente, assumiu de novo o coração de pedra. Pedra partida.


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