Publicado por: Ana | Outubro 3, 2004

A festa

Sentou-se no carro e conduziu em direcção à festa. A concentração na condução ajudava-a a concentrar, também, os pensamentos e as ideias. Apesar do adiantado da hora, alguns carros cruzavam-se com ela, quem sabe condutores solitários, também, em busca de paz de espírito. Foi das primeiras a chegar, o que a incomodou. Queria ter passado despercebida, esconder-se num canto escuro para que não dessem por ela. Rapidamente, a casa encheu-se de gente e ela foi deambulando, de sorriso maquinal no rosto e copo na mão, tendo conversas de circunstância com pessoas que mal conhecia. Não se sentia à vontade, como nunca se sentiu nestas ocasiões. Desejou não ter ido, mas era tarde para dar meia volta e desaparecer.

Afastou-se lentamente, pelo jardim às escuras, com a segurança de quem conhece bem o caminho. E sentou-se num banco, observando o movimento ao longe, a música entrecortada pelo barulho abafado das conversas que iam subindo de tom; descalçou-se , afastando os sapatos que a incomodavam e deitou-se no banco, a contemplar as estrelas daquela noite quente de Outono. Não fazia mal ficar um bocadinho ali, pensou, não dariam pela sua falta.

Vencida por noites e noites de insónia, adormeceu sem dar por isso. Não sabe quanto tempo dormiu, mas acordou com frio,tapada com um casaco que não era seu e com a sensação de estar a ser observada. Ele estava sentado na ponta do banco, a olhar para ela com um sorriso nos lábios. Pegou-lhe na mão e ajudou-a a sentar, enquanto a aconchegava num abraço apertado. Sorriram, olhos nos olhos, numa cumplicidade de quem não precisa de palavras para descrever o que sente. E ficaram assim uns instantes, como se o tempo parasse naquele momento para sempre.
” Vamos para casa?”_ perguntou ele.

Ela acenou e levantaram-se em uníssono, caminhando de mãos dadas pelo caminho de pedras soltas. De repente, ela lembrou-se que estava descalça e virou-se , com a menção de voltar para trás.

E viu-se ainda a dormir, descoberta,os sapatos pousados ao pé do banco e com um sorriso nos lábios…

“Não.” _ disse ele. ” Tu vais comigo…”

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