Publicado por: Ana | Julho 5, 2004

Nortada

À medida que o comboio vai seguindo para norte, a paisagem altera-se. Acaba a nostalgia da planície alentejana ( ou pelo menos o que se adivinha dela, por estas bandas) e dá lugar a uma Beira fértil e serena, senhora de verdes e castanhos- terra, de pequenas hortas cuidadosamente cultivadas. Continuamos a subir, rumo ao Porto, rumo ao mar. Passamos Espinho e lá está ele, ao lado da linha, quilómetros de praias desertas mesmo no Verão, a nortada fria a desafiar os mais corajosos. É lindo no Inverno, este mar do Norte. Cinzento, agreste, a contrastar com o calor das gentes ; esse sim, perene.

Conheço mal o Norte, apesar de tudo. Poucas vezes fui ao Minho e apenas duas a Trás os Montes.

Mas, para lá do Douro, há um sentimento de solidariedade comum a todos. De simpatia. Ninguém se sente só, por lá. Há sempre um sorriso à nossa espera. Até o sotaque é quente. A forma como tiram a agressividade dos érres e os rolam, adoçando a fonética da língua.

As casas escuras e cinzentas e as vielas sujas e gastas fazem parte de cenários românticos de um povo que tem sempre a mesa posta para que nunca haja fome. Principalmente no coração.


Responses

  1. Tens toda a razão, as gentes do Norte são de facto quentes, como o são os dias de verão no interior norte.
    Mesmo um alentejano de alma tem que admitir isso.


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