Publicado por: Ana | Junho 6, 2004

Fim de semana II

A casa dos meus avós está quase restaurada. E digo quase porque, apesar de o espaço da casa propriamente dito estar pronto, os anexos ainda estão em obras. De qualquer maneira este fim de semana já lá foi passado, em família, como convém a casas de memórias comuns.

Da casa original restaram apenas as grossas paredes de pedra, o terraço com vista para o pinhal, os tanques que se uniram para criar um espaço de lazer para a criançada e o forno do pão, onde espero dar continuidade à tradição da minha avó. É um bocadinho estranho andar por ali e tentar imaginar-me na casa antiga onde passei tantas férias de infância, confesso. Tenho que reconhecer, no entanto, que o espaço está francamente aprazível…

Tudo ali faz parte de mim, cresceu comigo. Muitas vezes esquecemo-nos como fazemos parte da natureza e crescemos juntos. E hoje, sentada no terraço e a olhar para a colina com a grande cruz no alto, dei comigo a pensar como é bom termos raízes. Pertencermos a um sítio. Desci os degraus que me separavam do pomar e , ao lado de uma videira, meti as mãos e os pés descalços na terra quente. E ” plantei-me” no meu chão.


Responses

  1. Porque aqui vim “parar por acaso”, e porque o post inicial não descartava a possibilidade de quem por cá aparecesse dizer de sua justiça, aqui fica um pequeno comentário ao que aqui li, referente a este últino texto.
    Fala-se aqui em recordações, em restauros, em ter e voltar ás origens, assim como o “replantar” simbólico de uma vivência pelo simples gesto de enterrar os pés e as mãos no chão. Não fosse a vida agraciada, com situações em que nos é permitido voltar atrás no tempo e fazer questão de projectar o futuro,lançando “âncora” num qualquer porto de abrigo, que sentido teria a nossa efémera passagem por este mundo que o Criador nos doou?
    È bom quando assim é, na minha opinião, termos noção das nossa raízes, da nossa meninice, da nossa educação, dos nossos valores e, acima de tudo transmitir essa mesma riqueza aos que depois de nós por cá andam.
    Não sei porquê, mas gostei do texto… serei também um nostálgico, no que a origens se refer? Talvez…

  2. O prazer de conhecer e poder voltar às origens não está acessível a todos, mas a tua descrição do sítio e do momento fez-me desejar poder fazer o mesmo, que infelizmente no meu caso é irrepetível.


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